Simplicidade e busca da essência

Em mais de sessenta anos de atuação, Thomaz Perina recebeu diversas premiações e participou em dezenas de projetos e exposições nacionais e internacionais e, no auge do reconhecimento, decidiu intensificar sua pesquisa artística em busca da síntese da paisagem, e para isso estabeleceu como determinante de seu processo criativo a experimentação técnica e o refinamento da idéia, a ponto de produzir mais de uma centena de esboços para a criação de uma única obra.

Com o amadurecimento de sua concepção de arte, passou a colar seus esboços em outros suportes, simulando molduras, indicando assim a tênue separação entre estes e as obras em tela. Sua concepção de arte não é uma orientação teórica desvinculada de sua prática, está materializada na valorização que seus esboços receberam em sua trajetória.

Artista premiado, não acumulou nenhum patrimônio material, mas, guardou em seu atelier, milhares de paisagens, esboçadas em frágeis fragmentos de papel. Perina criou paisagens em envelopes usados, versos de notas fiscais, convites de casamento, folhetos de propaganda, enfim, o que teria destino efêmero foi por ele alçado à estatura de suporte de obra de arte e teve a existência renovada. A maioria desses esboços não ganhou as telas, mas foi preservada pelo artista que afirmava: a obra está no processo e a arte está na busca da síntese”.

Por mais de sessenta anos, cotidianamente em seu atelier, instalado em sua residência situada em Campinas/SP, Perina criou obras de arte, produziu esboços, discutiu idéias, ouviu música e recebeu amigos. Para tudo isso, elegeu memórias que desafiam o tempo, coladas em seu livro de lembranças. Livro, cuja existência está mais vinculada à afetividade do que à funcionalidade., e que o artista denominou como “Livrão”, ou Livro de artista.

Fez parte dessas escolhas a forma como transformou sua própria trajetória na afirmação: “não quero fazer mais o que sei, quero fazer o que sinto”, e na definição da manifestação artística como um processo, somente possível na incondicional autonomia do indivíduo e sua total impossibilidade de ser ensinada.

Sua trajetória pessoal e artística esteve orientada pela desmistificação da hierarquia entre saberes e pela afirmação da simplicidade dos sentidos.

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