Integrantes

THOMAZ PERINA

Autodidata, atua como pintor, desenhista, professor, cenógrafo, figurinista e decorador ao longo dos anos. Entre 1944 e 1964 deu aulas de pintura e desenho em seu ateliê e na Escola de Desenho e Tecnologia de Campinas. Participa da formação do Grupo Vanguarda em 1958, bem como do Museu de Arte Contemporânea de Campinas em 1965. Entre 1961 e 1975, participou do Grupo Hoje. Foi responsável pela ornamentação arquitetônica do Centro de Convivência Cultural de Campinas. Participou de importantes mostras por todo o Brasil, como no III Salão de Belas Artes de Campinas (1945), Salão Paulista de Belas Artes (1952) e Salão de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1960), sendo premiado várias vezes. Importante figura ligada ao cenário e vida cultural de Campinas onde vive e trabalha ainda hoje na Vila Industrial – bairro operário da cidade, criado no final do século XIX, às margens da ferrovia. Sua constante produção pode ser vista em espaços públicos e culturais, retrospectivas e mostras em que é convidado.

RAUL PORTO

Natural de Dois Córregos, São Paulo, (1936 – 1999). Radicou-se em Campinas em 1938, quando iniciou seus trabalhos ilustrando jornal estudantil, poemas e fazendo projetos gráficos. Participou da I Exposição de Arte Contemporânea de Campinas em 1957. No ano seguinte integra o “Grupo Vanguarda”, planejando e organizando suas exposições. Trabalhou com desenho, pintura, colagem e composição em tecidos sempre ligados à Arte Concreta e aos concretistas Waldemar Cordeiro, Hermelindo Fiaminghi e ao poeta Décio Pignatari. Realizou exposições coletivas e individuais em instituições nacionais e estrangeiras, obtendo vários prêmios em Salões e Bienais. Suas obras estão em acervos de Museus (MAC–USP/SP, MAM/SP, Galeria de Arte UNICAMP/IA, entre outros).

MÁRIO BUENO

Natural de Campinas, São Paulo, (1916 – 2001). Autodidata e ferroviário, começa a pintar paisagens em 1943. Sua amizade com Thomaz Perina – artista também autodidata – permitiu não somente idas a campo e periferia de Campinas na procura de um “clima de paisagem” mas discussões sobre a linguagem da pintura e pesquisas pictóricas resultando posteriormente em experiências que valorizavam a abstração. Foi membro do Grupo Vanguarda de Campinas (1958 – 1966). Participou de inúmeras exposições, coletivas e individuais, a partir de 1951. Em 2005, uma retrospectiva de sua produção ocorreu na Galeria de Artes da UNICAMP, revelando as obras de sua autoria que hoje são acervo da universidade. Na ocasião houve o lançamento do catálogo organizado por Geraldo Porto sobre a ´Coleção Mário Bueno´. Em suas pinturas, o uso de elementos intensamente gráficos como traços pretos e áreas demarcadas de cores terrosas uniformes reflete uma busca de toda vida: a constante investigação matérica e pictórica onde a observação da sua cidade são temas freqüentes.

MARIA HELENA MOTTA PAES

Natural do Rio de Janeiro (1937 – 2004). Iniciou sua vida artística com o surgimento do Grupo Vanguarda. Entusiasmada pela arte moderna, despertou a atenção pela qualidade de seus trabalhos e apoio aos novos artistas. Fundou, em 1961, o Grupo Hoje com jovens artistas. Realizou exposições no Japão e Estados Unidos. Possui obras nos acervos do Museu de Arte Contemporânea da USP, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Prêmios: XI Salão Paulista de Arte Moderna, V Salão de Arte Contemporânea de Campinas. Participou da VII e IX Bienal.

GERALDO M. JÜRGENSEN

Nasceu em Campinas onde viveu até sua morte (1927 – 1993). Pintor, arquiteto, escultor, decorador, tapeceiro, cenógrafo e joalheiro. Pertenceu ao Grupo Vanguarda em Campinas e participou de inúmeras exposições coletivas e individuais no Brasil e no exterior. Conquistou vários prêmios e marcou presença na VIII, IX e XI Bienais de São Paulo. Deixou uma obra extensa, marcada pela ousadia e irreverência, sem limites entre o figurativo e o abstrato. Depois de sua morte foi criada a Fundação JÜRGENSEN (1997) em Campinas, onde está reunida a sua obra.

GERALDO DE SOUZA

Natural de Sumaré – SP (1922 – 1970). Muda-se para Campinas em 1950, onde vive até a sua morte. Aluno de Thomaz Perina, torna-se modernista, enveredando-se pelo caminho da pesquisa e experimentação. Inicia sua carreira participando do XIII Salão de Belas Artes de Campinas, que aconteceu no saguão do Teatro Municipal Carlos Gomes em 1956, quando recebeu menção honrosa. A partir daí seguiram-se muitos prêmios: 1º premio no XIV Salão de Belas Artes de Campinas (1957) e Premio aquisição no Salão Paulista de Belas Artes de São Paulo (1958). Participou do “Grupo Vanguarda” de Campinas, sendo muito respeitado pela classe artística. Conquistou outros prêmios importantes por todo o Brasil e foi destaque em várias Bienais de São Paulo e da I e II Bienal Nacional da Bahia (1966 e 1968).

FRANCO SACCHI

Natural de Milão, Itália, (1902 – 1972). Chegou ao Rio de Janeiro em 1948, fixando-se após três meses em Campinas. Em 1957, foi convidado a participar da I Exposição de Arte Contemporânea, no Teatro Municipal. Atuou no Grupo Vanguarda, participando de várias exposições. Sua produção abrangeu as artes plásticas, arte sacra e decoração em casas comerciais e interiores de igrejas. De posicionamento renovador, acreditava que o que diferenciava a pintura moderna da pintura acadêmica era a experimentação constante, a renovação das formas, processos e materiais. Participou de várias mostras individuais e coletivas nacionais e internacionais, obteve prêmios em Salões oficiais entre os quais: I Salão de Arte Moderna de Milão, Salões dos Independentes de 1946 e 1947 em Paris, I Bienal de Arte Moderna de São Paulo em 1951, Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, Salão Paulista de Arte Moderna e Salão de Arte Contemporânea de Campinas.

FRANCISCO BIOJONE

Nasceu em Campinas em 1934. Ainda criança, iniciou-se na pintura sob a orientação de professores acadêmicos. Rebelde, passou a pintar de uma forma particular, sem seguir as técnicas rígidas do academismo. Integrou o Grupo Vanguarda e tem seu nome citado na Grande Enciclopédia Delta Larousse, no Dicionário de Artes Plásticas no Brasil, de Roberto Pontual e em outras publicações de artes no Brasil, Estados Unidos e Europa. Possui obras nos acervos dos Museus de Arte moderna de São Paulo, Belo Horizonte, MAC de Campinas, Pinacoteca do Estado e em coleções particulares no Brasil e no Exterior. Prêmios no Salão Paulista de Arte Moderna e na Exposição de Aquarelas Brasil-México.

ENÉAS DEDECCA

Nasceu em Rio Branco / MG (1929) e mudou-se para Campinas ainda criança. Autodidata, inicia sua carreira na pintura acadêmica, com participação nos Salões Oficiais de Belas Artes. Temperamento pacato e acomodado, sua mudança do acadêmico para a pintura moderna deu-se mais lentamente que a de seus companheiros Perina e Bueno. Somente em 1960 integra-se ao Grupo Vanguarda, com paisagens abstratas. A participação no Grupo Vanguarda motiva-o a evoluir em suas pesquisas formais, descobrindo acidentalmente a colagem como elemento de pintura. A colagem caracterizou sua obra durante muitos anos, primeiramente usada como elemento aplicado sobre a tela, sem receber nenhuma alteração. Posteriormente, é aplicada à tela como elemento de textura, coberta por formas geométricas e pintura. Seu entusiasmo em sua fase moderna dependeu de sua participação no Grupo Vanguarda.

EDOARDO BELGRADO

Nasceu em Udine, Itália (1919). Estudou em Veneza, cursando arquitetura e Belas Artes, para instalar-se posteriormente em Trieste, onde monta seu primeiro estúdio, iniciando sua carreira na arte e na arquitetura, incluindo cursos e viagens por toda a Europa. Em 1953 vem para o Brasil e descobre em Campinas, um meio favorável para expandir seu arrojado entusiasmo pela cultura e pela arte moderna. Escreve na página Minarete, do Correio Popular, faz algumas exposições, até o histórico encontro com os artistas campineiros, na primeira exposição de arte contemporânea de Campinas. Seu desusado entusiasmo e sua segurança teórica sobre cultura e arte facilitaram um diálogo aberto com os artistas campineiros que vibravam ante a necessidade de marcar um posicionamento em relação ao ambiente cultural da cidade. Favorável à formação do grupo (que na realidade já existia), encaminhava as discussões para fixar um critério de organização e ação. Defendia a idéia de que todos deveriam ser rigorosos num ponto: nenhuma concessão ao academismo. Foi decisiva sua participação na criação do Grupo Vanguarda. Por motivos profissionais ligados à arquitetura, retorna à Itália em 1959. Volta a Campinas em 1979 para fazer uma exposição retrospectiva no Museu de Arte Contemporânea, quando foi possível confirmar que o seu entusiasmo em relação à arte não tem limites.

BERNARDO CARO

Natural de Itatiba, São Paulo, (1931 – 2007). Autodidata com início acadêmico seguido por pesquisas pelo movimento modernista de Campinas. Em 1964 juntou-se ao Grupo Vanguarda da cidade. Trabalhou como gravurista e professor desde 1954. Educador na UNICAMP, de 1979 a 1982, foi diretor do Instituto de Artes, unidade que ajudou a criar. Após esse período, entre 1983 a 1987, respondeu pela chefia do Departamento de Artes Plásticas desse instituto. Em 1983 assinou o projeto de formação do acervo da Galeria de Arte da UNICAMP – órgão no qual atuou inclusive como membro do conselho e grande incentivador. Participou de bienais paulistas e diversos salões de arte nacionais e internacionais. Suas obras pertencem a acervos no Brasil e no exterior. Professor aposentado da UNICAMP exerceu, paralelamente à sua produção artística, as funções de vice-cônsul honorário da Espanha em Campinas e região.

Manifesto do Grupo Vanguarda

Com a participação do jornalista e poeta Alberto Amêndola Heinzl, os artistas do Grupo Vanguarda redigem um manifesto contendo os objetivos, princípios e estratégias do grupo, que foi publicado no Jornal do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas, em junho de 1958.

Analisando-se este documento podemos perceber que o grupo sugere uma renovação artística que seja progressiva (vemos essa intenção nas palavras “movimento”, “renovação” e “revificação constante”) e preza prioritariamente o fazer consciente, buscando profundidade em sua proposta. Há uma crítica àqueles que guardam “os segredos da arte” para si mesmos, a quem chamam de mestres, provavelmente os pintores acadêmicos que não revelam sua maneira de trabalhar. Os críticos de arte também recebem o julgamento do grupo pois eram acusados por não observarem o objeto de arte em si, mas se apoiarem em outros valores, como no “nome de quem assina” [a obra]. O grupo também deixa evidente a busca de uma atitude crítica fundamentada e elucidativa, além da vontade de livrar a obra de arte de sua “aura” (“um poema é um poema / uma tela é uma tela”).

Os componentes do Vanguarda demonstram um tom de protesto no decorrer de seu manifesto: contra uma atitude apática e contra aqueles que controlam o meio artístico. E, ao mesmo tempo, simpatizam com a imposição de uma nova estética e confirmam uma vontade de renovação urgente, inclusive quanto às instituições artísticas que aceitam apenas o que lhes é ditado por padrões pré-estabelecidos. Ademais, utilizam ironia e provocações, além de citações poéticas como a de Ezra Pound “artists are the antennas of the race”. De acordo com José Armando Pereira da Silva, o manifesto combina contundência e polêmica:

“Vazado em uma linguagem analógica e fatura gráfica bem ao gosto do concretismo, vão se justapondo propostas e críticas, a que não faltam expressões cifradas (“a moda blackwood”, citações do momento “Pound”), muita ironia (“os escribas que pretendem uma andorinha modelada em bronze deva ter penas e cheiro de andorinha”) e um fecho de panfleto radical: “Fora com os burgomestres falantes e vazios / fora com os fritadores de bolinhos”. É bem provável que a maioria dos signatários tenha se espantado com o texto, mas naquele momento a provocação fazia parte do jogo”. (1)

Ademais, o manifesto do grupo Vanguarda teve forte influência do Manifesto Ruptura, entregue pelos integrantes do grupo Ruptura na ocasião da abertura de sua primeira exposição em dezembro de 1952 no MAM-SP. Essa foi a maneira de oficializar a existência do grupo, assim como a publicação do manifesto Vanguarda no periódico campineiro também teve essa função.

Além disso, a diagramação do manifesto do grupo campineiro é semelhante àquela feita pelo Ruptura, com um projeto gráfico concreto (estruturado segundo a Gestalt visual) e palavras de ordem, protesto, muitas vezes em tom panfletário, e a idéia de que a arte do passado estava em crise e que eles eram a renovação. Porém, no caso dos concretos, isso é muito mais evidente:

“A arte do passado foi grande, quando foi inteligente. Contudo, a nossa inteligência não pode ser a de Leonardo. A História deu um salto qualitativo. Não há mais continuidade! Então nós distinguimos: os que criam formas novas de princípios velhos; os que criam formas novas de princípios novos.” (2)

Além do manifesto, a maioria das obras dos artistas do Vanguarda daquele período fazia grande referência ao concretismo, o que se deve também a um produtivo entrosamento com o grupo concreto, que mobilizava o cenário nacional na época. Devido a esse amistoso relacionamento, Décio Pignatari, Waldemar Cordeiro, Maurício Nogueira Lima e Hermelindo Fiaminghi procuravam dar apoio aos artistas de Campinas.

Saiba mais…

(1) SILVA, José Armando Pereira da. Província e Vanguarda: apontamentos e memória de influências culturais, 1954-1964. Santo André: Fundo de Cultura do Município, 2000. p. 174.

(2) Manifesto Ruptura

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