“Por ser autodidata, não tenho formulações teóricas. Com  elementos simples, com tratamento simples, reduzindo a cor a um estado quase neutro, busco uma dimensão, um movimento por percepção, induzindo a relação de ‘Paisagem’ , nome que dou aos meus trabalhos não só como indicação de um problema, mas também por caráter afetivo.”

Thomaz Perina (1921-2009) foi um dos mais importantes expoentes da história das artes visuais do Estado de São Paulo, não somente pelas premiações que recebeu, mas, sobretudo pela pesquisa à que se dedicou e por sua singular contribuição a toda uma geração de artistas.

Quando se pensa em um artista, imagina-se o glamour de grandes exposições, prêmios, viagens. A essência, no entanto, está em grande parte em um olhar original que este desenvolve sobre o seu cotidiano. No caso de Thomaz Perina isso começou desde os primeiros anos de sua infância, quando desenhava nas ruas com carvão.

Desde criança, Perina demonstrou aptidão para o desenho e muito jovem começou a pintar. Seus desenhos feitos em frente à casa onde morava no bairro da Vila Industrial, utilizando-se de fragmentos de carvão, eram elogiados pelos trabalhadores da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro, que chegavam a mudar de trajeto na volta do trabalho para passar em frente a casa para ver os desenhos do dia.

Seus primeiros motivos foram cenas do cotidiano e as paisagens de sua cidade, Campinas. Ainda adolescente deu os primeiros passos para expor seus trabalhos. Na década de 1940 seus trabalhos receberam as principais premiações nos Salões Paulistas de arte acadêmica.

Artista consagrado, e premiado, seguiu explorando novas linguagens e aproximou-se das vanguardas concretistas, sempre com temas aparentemente simples. Simplicidade crítica, que se fez presente em toda sua obra, sem falar na valorização que manteve pelos materiais que, para a maioria, eram considerados “lixo”. Retalhos de madeira, papéis de embalagens, pedaços de esculturas danificadas. Tudo podia lhe evocar uma sensação especial e continha potencial de ser lido, interpretado e exposto como obra de arte.

Essa obstinação pela busca e transmissão do essencial norteou não só suas obras, como sua vida. A gentileza com que recebia os que frequentavam seu ateliê e a humildade com que falava sobre seu trabalho certamente são lembranças permanentes de quem conviveu com ele.

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